segunda-feira, 9 de junho de 2008

[meu não tão falso]Ensaio sobre a Cegueira.

Fizera numa melancólica tarde de domingo um simulado da Fuvest, no sistema Anglo de Ensino.
Sentara-me numa cadeira desconfortável que acentuaria minhas dores.
Localizei me no espaço e percebi que pessoa ainda não chegara.
Chegara.
Logo pude sentir-me melhor por estar perto daquela figura aquariana. Tão distante essa matéria humana que transcende minh'alma, perfura meu espírito, fere minha existência e logo sou Eu.
Ignorei meu ciúmes e minha conciência subalterna das minhas emoções. Estas oscilações entre o animal desprovido de razão e o humano sovino me enjoam.
Com as provas na mão jurei não colar.
Coloquei meus óculos e permiti me concentrar nas questões.
O barulho ao redor me deixou desgostoso e antes que pudesse fazer o "xiu", o silêncio opressor tocou o local.
A noite funesta vendou-me.
Num instante uma sensação do tipo gélida me tocou abraçando-me lascivamente.
Toquei os olhos, e os massagera até sentir o líquido secar. Pisquei, pisquei e pisquei deixando minha lapizeira cair no chão.
Minha respiração acelerou e tornei-me ofegante, o que era arriscado.
Poderia fingir que não ligara para a queda da lapizeira e continuar dirigindo meus olhos para as folhas.
Senti um sussuro atrás de mim. Mais uma vez... era meu nome que estava sendo dito.
Alguém que não lembro me ofereceu a lapizeira. Apoiando-me em minhas experiências dirigi o braço em retilínea e toquei o grafite. Peguei a lapizeira e voltei-me para as folhas imaginárias.
Virei as páginas para dar um ar real de atenção.


continua...
Bruno Caique ®