...eu só gostaria de me permitir.
Poder sentir que é capaz é ser capaz de poder.
Envergonho-me de sonhar. Empírico, um lado atormentado e sóbrio.
Uma salva de palmas quando a ousadia toma conta de mim.
Vivo de luto a cada dia por mais um dia sem lutas, só pensando.
O devaneio é um veneno. Há tantas sensações a serem conhecidas, mas prefiro pensar.
Permitir-me ser é impossível. Eu só gostaria de estar bem comigo mesmo e não falar mais de mim.
...há anos venho me lapidando num silêncio vaidoso.
Orgulhar-me-ei quando esta vaidade for humilhada pelo meu lado sagaz. Enquanto isso, a ironia toma chá de bile.
Minha raiva é um cansaço dissimulado de buscar-me em mim.
Aflorar-me seria perigoso. A violência escandaliza e conquisto, mais uma vez, a inocência. A dó.
A dor de ser sem-mim.
Há vezes que um lado não é recíproco com o outro, aí fica difícil.
Meu desejo é não ser tão superficial e reproduzir minh'alma à vozes inabitadas. Sou o albergue de muita gente.
Um riso a mais, um passo de dança um olhar distinto e não sou eu.
Odeio-me enjoar da solidão, o que me alimenta. E me destrói.
Descubro então que esse sou eu - patrício.
Eu só gostaria de não falar mais de mim.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
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